CONTEÚDO SÓLIDO

O estado sólido é um estado da matéria, cujas características são ter volume e forma definidos (isto é, a matéria resiste à deformação). Dentro de um sólido, os átomos ou as moléculas estão relativamente próximos, ou "rígidos". Mas isto não evita que o sólido se deforme ou comprima. Na fase sólida da matéria, os átomos têm uma ordenação espacial fixa, mas uma vez que toda a matéria tem alguma energia cinética, até os átomos do sólido mais rígido movem-se ligeiramente, num movimento "invisível".

é fábula

Vou contar uma história. Revelar um segredo. Guarde em secreto. Quando eu era pequena, acho que aos doze anos, eu me apaixonei. Não me pergunte nomes, não importa o objeto. Eu era tão pequena, recusava usar sutiãs, também não precisava deles, como até hoje não preciso. Eu me apaixonei, não sei porque, eu o achava lindo, o cara mais lindo da escola, ele era uns dois anos mais velho que eu, para mim ele era um homem, não sabia eu que era só um menino, mirrado e mimado. Lembro-me que escrevi-lhe uma carta, não entreguei, mas escrevi. Eu era uma garota muito tímida, mas certa vez, resolvi dizer a ele o que sentia, quão boba era, mas havia em mim uma certa inocência que hoje sinto falta. Pedi uma de minhas amigas que dissesse, porque me faltava coragem de encarar as pessoas. Essa não é uma daquelas histórias tipo Betty a feia, mesmo porque continuo sendo a Betty, versão feia. Eu nunca vou esquecer aquela cena. Quando saíamos da escola, e todos os garotos riam de mim e também daquele que fez sumir de mim o que me restava de inocência. Se eu era feia demais pra ele? Nunca vou saber. O que sei é que aquele dia foi um grande marco pra mim. Desde então, não vi mais os homens como príncipes, mesmo porque eu sabia que nunca seria uma cinderela, nem ao menos gata borralheira eu seria. Aprendi naquele instante em que me lançaram olhares e sorrisos, nada carinhosos, que nem tudo seria como nas histórias que meu pai me contava para dormir. Às duras penas, aprendi que não se deve se entregar ao desconhecido, aprendi a olhar para o caminho antes de pisá-lo. Me sentia tão boba, que decidi-me nunca mais ser tudo aquilo.
Tão pequena, deixei de acreditar no amor. Como para mim ele não existia comecei a criar. Criava sentimentos que nunca houveram, e isso machucou a muitos. Dizia que amava-os sabendo eu que não havia amor algum. E assim prossegui, lançando veneno, espalhando dor. Ora, fria, ora falsa. Imunda, mentira. Hoje, digo: nunca amei. Porque eu mentia que amava? Para conquistar? Talvez. Provar que aquele 'não' que recebi aos doze não era real pra mim, eu não suportava acreditar que foi real. Por isso criei durante muitos anos. Fingi amor. Fingi amar. Eu despertava o amor daqueles que eu nunca amaria. Eu não tinha medo. Pra mim era um jogo. Como um jogo de xadrez eu queria proteger o rei, não sabia eu que ele vivia dentro da minha barriga. No fundo as pessoas querem ouvir que são amadas, e eu dizia isso a elas. O grande dilema era que eu mentia, e me cansava, e as deixava. Quando eu as conquistava, descartava. E foi assim, por muito.
Nunca imaginei que encontraria o amor. Nunca imaginei chorar por alguém. Isso era tão bobo e ridículo pra mim. Afinal, eu era racional, e nada me abalava. Eu não amava. Amor era para os fracos. Eu nunca tive amantes, tive vítimas.
Hoje, quebrada. Cansada, de mim. Em prantos, numa madrugada qualquer, eu choro, eu penso, eu amo, e mais uma vez não sou amada. Quando o vi toda minha racionalidade se desfez. Me senti boba outra vez. Desde então ele me ocupa em mim grande espaço da mente, do coração. Quando o conheci, voltei a sonhar com príncipes e princesas. Na verdade, não o conheci, o criei, ele não faz parte da minha realidade, é fábula. As fábulas nunca foram tão reais pra mim. Eu tinha que acreditar nelas, eram minha única esperança. Minha fada madrinha virá? Não sei. Já se passou da meia noite. O encanto se acabou. Me resta ainda esperança, me resta ainda amor.

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