CONTEÚDO SÓLIDO

O estado sólido é um estado da matéria, cujas características são ter volume e forma definidos (isto é, a matéria resiste à deformação). Dentro de um sólido, os átomos ou as moléculas estão relativamente próximos, ou "rígidos". Mas isto não evita que o sólido se deforme ou comprima. Na fase sólida da matéria, os átomos têm uma ordenação espacial fixa, mas uma vez que toda a matéria tem alguma energia cinética, até os átomos do sólido mais rígido movem-se ligeiramente, num movimento "invisível".

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Eu olho para este homem que quer enfiar-me guela abaixo essa matéria que em nada me atrai. Eu o vejo, mas nada ouço, sim estou com fones de ouvido. Não é este o meu pão. Não é disso que minha alma se alimenta. Meu estômago embrulhado revira a mesma idéia de que aqui não é o meu lugar. Minha ânsia é sair deste lugar. Minha ânsia é tirar tudo isso que me impõe aqui. Eu me sinto aqueles garotos que insistem em não comer os legumes. Eu não vou comer esses legumes. É tudo sempre igual. É tudo verde e amargo. Eu não quero. Me recuso a digerir e se me desce a garganta voltará, sairá pela boca. Me recuso.
Eu olho minhas mãos, e num colapso as observo. Cada linha de expressão é nova pra mim. Eu ainda não conheço todas elas. Eu não temo o fato de ter que um dia conhecê-las. Eu só quero me dar a conhecer. Este é o presente do tempo. Sem ele não me seria possível conhecer. Sem ele nada me seria possível. Eu não temo o tempo. Eu corro em direção a ele. E todas as linhas que me desenham me marcam novas conquistas. Me marcam novos devaneios, criações, crianças. Quando se vive e se morre se busca vida. Eu a quero. Mesmo que me matem, não hão de tirá-la de mim.
Nada me tira o anseio de vida. Intrínseco ao ar que me move. O sopro de vida que há em mim é santo, sagrado e vida. E o corpo que ele move é ora imundo, ora coberto de sangue, vida. Ora morte. Ora vida. Ora vive. Ora! É hora! Move!

seria bom

Seria bom ser quem somos ou quem buscamos ser, não nos sentir menor que aqueles que nos oprimem e por isso os vemos maiores que nós, aqueles que insistem pisar-nos com os pés sujos, e nos esmagam como a baratas imundas. Frente a tanta imundicie torna-se impossivel um novo olhar, uma nova esperança. A gente só espera poder sair debaixo desse asqueroso pé. Não se sufocar com esse chulé terrível. Seria bom fazer nossas escolhas, quebrar a cara num muro que nós fizemos, e não que nos foi colocado frente a face, escorregar em nossas águas, lágrimas, escolhas. Morrer em nossas vidas, ou nas vidas que escolhemos pra nós. Aprisionar-mos em nosso ideal de liberdade, por mais que represente uma prisão. É a sua escolha, a sua prisão. Seria bom, se o seria estivesse conjugado no presente. Seria bom alcançar o até então inalcançável. Seria bom, ser. Seria bom, se bom fosse. Seria bom, se houvesse sido como quisemos. Seria bom, se o seria representasse um futuro próximo. Seria bom, se seria fosse é. No entanto, seria se assim fosse e não é.

Me sinto assim também

Às vezes eu me sinto um transexual, querendo ser aquilo que sei que nunca serei. Assim como ele quer ser mulher, mas no fundo sabe que nunca conseguirá ser uma. Me sinto assim também.
Às vezes me sinto uma prostituta, não por praticar a prostituição. Mas porque querem me alienar como se eu tivesse um cafetão que escolhesse aqueles como eu fosse me deitar, ou aquilo para o qual eu daria minha alma. Me sinto assim também.
Às vezes me sinto um mendigo, vagando sem direção, sem amigos, ou família. Sendo apontada como culpada pelo estrago social, sendo obrigada a ser feliz com as moedas que lançam sobre mim, quando lançam, preferem me chamar de vagabunda e me mandar arrumar um emprego. Me sinto assim também.
Às vezes me sinto uma idosa. Quando me cobram uma força que não tenho mais, não terei. Quando se esquecem de tudo que já conquistei, e me vêem apenas como um peso a mais. Me sinto assim também.
Às vezes me sinto uma criança. Querem escolher por mim, nunca me deixam falar, querem me dar aula de tudo. Me sinto assim também.
Às vezes me sinto um presidiário. Limitado a sentença que me impuseram. Sendo apontado e humilhado por quem passa. Presa em uma cela. Sem escolha, sem liberdade, sem vida. Me sinto assim também.
Às vezes me sinto um robô. Não tenho botões, mas me apertam. Não tenho rodas nos pés, mas me empurram. Programada pra fazer o que meus programadores programaram, nada aquém, nada além. Me sinto assim também.
Às vezes me sinto muda. Não me sai som algum. Quando sai, ninguém pára pra ouvir. Quando sai, não se ouve. Quando se ouve, não se entende. Quando se entende não se quer entender. Me sinto assim também.
Às vezes me sinto surda. Não posso ouvir meu coração. Não posso ouvir minha canção favorita. E ouvir o sertanejo que obrigaram me deixou surda. Me sinto assim também.
Às vezes não me sinto. Sinto tantos outros que até me esqueci como sou, se sou nunca senti, nunca senti. Não sou, não sinto. Me sinto assim também.

Please, call me Amanda

Por favor me chamem Amanda. Sei que mulher não sou, mas não sou homem também. O Ricardo se foi, e agora prefiro ser só Amanda. Não carrego mais aquele peso todo entre as pernas. Mas carrego um peso que a cirurgia não me tirou. Carrego a dor que a alma insiste em esconder. A dor de ter perdido a familia numa escolha, a dor de perder os amigos, a dor da vergonha que sentem daquilo em que me transformei. A dor que nenhum remédio jamais conseguiu eliminar.
Ainda assim me sinto mulher, mas sei que o silicone não transforma meu peito em um seio. Sei que nunca terei um seio. Sei que mulher não sou. Sei que hormônios contribuem um pouco, mas nunca me farão mulher. Minha voz que não consigo disfarçar, sempre me entrega. Meu andar em cima do salto ainda é desconjuntado. Meus pêlos ainda são grossos. Meus quadris ainda são retos demais. Cintura eu nunca terei. Minhas mãos são grandes e grossas. Minhas unhas: postiças. Meu sexo: indefinido. Nem mulher, nem homem.
Todo esforço que faço é sempre falho. Por mais inteligente que eu seja, ainda serei aquela 'bixona' que quase ninguém quer ter em sua empresa. Sempre serei aquela 'bixona' que ninguém irá contratar para educar o seu filho, cuidar do seu bebê, fazer o seu parto, enfim, não me bastam esforços.
Nem Ricardo, nem Amanda. O que me dói é saber que não sou mais homem, e nunca serei mulher, serei sempre transição, serei sempre trans. Nem Ricardo, nem Amanda.

Cansei de subir

Quebra o meu orgulho, Senhor. A verdade é que eu preciso descer. Chega de subir como Zaqueu, é hora de descer. Eu que me irrito com tanta facilidade. Eu que me deixo incomodar com tão pouco. Cobro de mim uma dose que não posso tomar. Basta um detalhe pra me tirar do eixo. Basta uma palavra, uma atitude e tudo vai por água abaixo.
No fim, eu me vejo no mesmo lugar. No lugar aonde sempre estive, e fingi não ver. Compreender minha pequenez. Compreender minha limitação. Compreender que quem me sustenta é o Pai. Às vezes é preciso voltar, retornar aquela humildade de criança, aquela inocência, aquela dependência, aquela realidade que antes fingimos não ver. Descer do salto da santidade, reconhecer quem se é de verdade. Reconhecer minha fraqueza, meus defeitos, minhas falhas, meus erros. Não sou auto-suficiente, nem preciso achar que sou.
Sou orgulho e vaidade. Sou raiva, vergonha e medo. Sou carne, sou viva, sou sangue. Sou dor, tristeza e mágoa. Sou ego, não nego. Sou humana, raça, caça, Cássia. Cansei de ser humano. Cansei de ser. É hora de descer.

Porque a realidade não é nenhum pouco cor de rosa

"A mulher foi feita da costela do homem, não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual, debaixo do braço para ser protegida e do lado do coração para ser amada." Maomé




''HOJE O MEU AMOR VEIO ME VISITAR,



E TROUXE ROSAS PRA ME ALEGRAR



E COM LÁGRIMAS PEDE PRA EU VOLTAR.



HOJE, O PERFUME EU NÃO SINTO MAIS,



MEU AMOR JÁ NÃO ME BATE MAIS,



INFELIZMENTE, EU DESCANSO EM PAZ''



A cada quinze segundos, uma mulher é agredida no Brasil. A cada ano, duas milhões de mulheres são espancadas por seus maridos ou namorados. Essa triste realidade ainda é bem presente no cenário atual, situações aonde a mulher é miseravelmente espancada e tratada de forma brutal por seus companheiros e aonde muitas dessas sofrem caladas e se vêem divididas entre o medo de denunciar e o medo de permanecer sofrendo tais agressões dentro dos próprios lares. Trata-se daquela situação aonde o casamento torna-se uma tortura e aonde o próprio lar torna-se o cárcere, a vítima tendo como agressor o próprio marido. Quando aquilo que era sagrado no casamento se esvaiu e o que outrora era chamado amor tornou-se ódio e indiferença.
É quando a mulher finge a hipocrisia de um sorriso no rosto, mas sua alma sangra, e sua face não expressa mais aquele sentimento belo e puro, promessas no altar e juras de amor na lua de mel transformam-se em cenas de um filme real e cruel.
Nem tudo é um mar de rosas, o casamento nem sempre é que mostra os filmes românticos, os maridos nem sempre são príncipes, alguns deles estão mais próximos de bandidos do que de mocinhos e as mulheres são sempre as vítimas. Isso quando a agressão no lar não se estende também aos filhos.
A mulher que era pra ser a esposa, se torna escrava, que além de fazer o serviço de casa, sofre punições, são oprimidas, reprimidas, espancadas, humilhadas, rechaçadas, vulgarizadas e até estupradas por seus próprios cônjuges, aqueles que um dia, perante a igreja e a autoridade religiosa, perante Deus e os familiares, fizeram votos 'eternos' prometendo amar, respeitar e ser fiel, até que a morte os separe. No entanto, a morte bate mais cedo na porta de algumas vítimas da crueldade e da falta de amor daqueles que desonram as alianças que carregam em seus dedos.
A agressão tem de acabar. 'Talvez se eu tivesse o denunciado, talvez se eu tivesse o deixado de lado, agora é tarde, na cama do hospital, hemorragia interna o meu estado era mal.' Esse trecho mostra a triste realidade de muitas mulheres, que por medo de denunciar sofrem drásticas conseqüências, até que se torna tarde demais...

Violência contra a mulher? Denuncie! Disk 180 de qualquer lugar do Brasil, a qualquer hora!

'Não é tarde para se sonhar, o céu ainda é azul, há esperança...'


GOIÁS

CEVAM - Centro de Valorização da Mulher Consuelo Nasser
Maria das Dôres Dolly Soares
Projeto: Atendimento a mulheres em situação de violência
Goiânia/GO
(62) 524-9000 a 524-9012
cevam@uol.com.br

Grupo de Mulheres Negras – Malunga
Sonia C.Ferreira Silva – presidente
Projeto: Saúde das mulheres negras
Goiânia/GO
(62) 286-4896 / 9983-7110
malunga@persogo.com.br

Grupo Transas do Corpo
Eliane Gonçalves – coordenadora de projetos
Projeto: Ações educativas em gênero, saúde e sexualidade
Goiânia/GO
(62) 248-2365 / 248-1484
transas@transasdocorpo.org.br
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