CONTEÚDO SÓLIDO

O estado sólido é um estado da matéria, cujas características são ter volume e forma definidos (isto é, a matéria resiste à deformação). Dentro de um sólido, os átomos ou as moléculas estão relativamente próximos, ou "rígidos". Mas isto não evita que o sólido se deforme ou comprima. Na fase sólida da matéria, os átomos têm uma ordenação espacial fixa, mas uma vez que toda a matéria tem alguma energia cinética, até os átomos do sólido mais rígido movem-se ligeiramente, num movimento "invisível".

natal, simples assim



É engraçado o poder que tem o natal. Hoje eu percebi que o natal é sim mágico. E não tem nada a ver com as luzes, com a árvore e muito menos com o papai noel. Se existe um dia onde é possível encontrar pessoas que há tempos não se via, abraçar aqueles que você não abraça o ano inteiro, desejar boas coisas pra quem você ama, esse dia é o natal. E por mais que alguns digam que o natal é de origem pagã e que outros celebrem o nascimento de Cristo, no final das contas o que importa mesmo é olhar para o lado e ver que estamos todos juntos, cristão, ateus, evangélicos, católicos, todos unidos pelo amor, para o amor, e não há nada mais cristão do que amar, porquanto Deus é amor.
Por mais simples que seja a sua ceia, por menor que seja o cardápio, que seja regado de amor. Nunca houve tempero melhor.

e se vai no vento e se vai



algumas coisas caíram do meu mural

algumas roupas não estão mais no meu varal

e quando o vento passou

foi carregando tudo que via pelo caminho

e foi levando pra longe

pra onde meus olhos não mais podiam alcançar

aonde o vento passou tudo mudou

nada é mais o mesmo depois daquela tempestade

o que sobrou tenta se refazer

mas isso é um custo e tanto

a força pra resistir a este vento é tamanha

que se supreende até mesmo quem se esforça,

e se preparam e imaginam que hoje fará sol

o céu vazio de nuvens

afirma que hoje fará sol

e fazem planos para o dia

para o mês, para o ano

escolhem nomes, festas, flores

e chega o vento e nada mais fica no lugar

e muda a cena, muda o palco e os atores

nada mais é o mesmo depois da tempestade

nada permanece igual

tudo muda

o tempo todo

e se vai,

no vento,

e se vai

ele estava lá...



Só você o viu se mexer, só você o sentiu e você está certa de que ele está lá, ele está lá. Você tanto quis conceber, e imagina como vai ser seu bebê. Você sabe que ele está lá, ele está lá. Você o sente, você o vê, e o seu corpo mudou tanto, você só pode estar mesmo grávida. Seus seios estão enormes, sua menstruação não desce a bastante tempo, seu abdômen cresce, e sua barriga se vê. Você sente o peso, você sabe que ali tem um bebê. Ninguém pode imaginar como você está feliz, como você o quis e agora ele está lá, ele está lá. Você está louca pra contar pra todos que vai ser mamãe. Já comprou roupinhas, já planejou o quarto e vai ficar lindo, mal pode esperar. Você está ansiosa, são tantos detalhes a se pensar. De qualquer forma, será uma bela criança. Já pensou em alguns nomes, se for menina vai ser Mariana, Talita, Vitória, é acho que vai ser Vitória, era o nome da sua bisavó, você sempre gostou desse nome. Mas ser for menino será Joaquim, é um nome antigo, mas muito bonito. Imagine como vai ser quando ele disser a primeira palavrinha, quando ele começar a andar, a fazer arte, correr sem parar. Vai ser mais uma alegria pra sua familia. Seu marido insiste pra você procurar um médico, mas você está feliz e se sente bem, não vê motivos para se preocupar. Acompanha o crescer da sua barriga e com o tempo percebe que falta muito pouco pro bebê nascer. Conclui que tem pouco tempo, então corre para as compras, berço, carrinho, fraldas, nada pode faltar. Você organiza tudo com tanto carinho, melhor mãe essa criança não podia encontrar. Sente algo escorrer pelas pernas e logo pensa que a hora chegou. Corre para o hospital. Te fazem muitas perguntas que você não tem nem idéia de como responder. Você meio zonza chama o médico e pergunta: "doutor como está o meu bebê?", ele te olha com um olhar cansado, afinal, já era madrugada, e diz: "volta pra casa, não existe nenhum bebê".



pseudociese, já ouviu falar?

roupas velhas,




Quando eu me for, talvez me conhecerão os que aqui ficarem. Meus diários serão expostos num varal qualquer. Não serão roupas limpas penduradas num arame, terão algumas manchas, eu sei. E lá ficará até alguém se dar conta do mal cheiro delas. Ficará lá até que alguém perceba que eu me fui. Algumas pessoas quererão conhecer mais delas. Sentirão o cheiro de longe. No final, alguns se agradarão das pesquisas, mas a medida que se aprofundarem nelas, se decepcionarão, de fato. Mas não sejamos pessimistas. Sei que aqueles que sentiram algum carinho que seja por mim, cuidarão de preservá-las, roupas velhas e sujas, sei que são, mas será o que restará de mim. Essas roupas que por muito me esconderam, sim, esconderam minha nudez. Roupas de todo tipo, das casuais as roupas finas, cada um revelava um momento meu. Vezes eu mostrava a nudez das minhas pernas, vezes eu escondia a nudez do meu ombro. Aquelas roupas ora penduradas, vão revelar a morte, mas também hão de revelar lembranças, de uma vida.



Quer saber, um dia se esquecerão delas(não do varal, que continuará lá, a espera de roupas novas). Roupas velhas não deixarão de ser. Um dia alguém se incomodará com o cheiro. E as colocarão pra lavar. Sabão em pó, água, detergente, álcool, fogo,



fim.

Brasil! Mostra a tua cara!


Quem nunca ouviu falar do famoso jeitinho brasileiro? Quem nunca levou vantagem em alguma situação? Já dizia minha avó “a unha só coça pra dentro”. No final das contas, o meu umbigo é que importa ou estou errada?

É desse jeito que o país prossegue, é nesse samba que o país se afunda. É a famosa 'Lei de Gerson', aquela que mesmo não sendo escrita, tem mais valor que qualquer artigo da Constituição. Aquela que te faz aproveitar todas as situações para beneficio próprio. Um documento falso aqui, um subornozinho ali, ou você prefere pagar aquela multa indesejada e levar pontos na sua carteira de motorista?

É desse jeito mesmo, e começa cedo, começa na escola furando a fila do lanche, colando do colega de classe, falsificando a assinatura dos pais nos boletins e advertências, ou você preferia ficar de castigo?

E não vamos culpar Gerson, ele não é o único. Apesar da expressão ser vinculada a pessoa do jogador, ela pode muito bem ser vinculada a qualquer um de nós, pode muito bem ser a Lei da Maria, Lei da Joana, Lei do José, Lei do Fulano, Lei do Sicrano, não importa, é a Lei do Ser Humano. É a lei do ego, a lei do umbigo.

Mas até vão os limites, até onde vai o desrespeito ao próximo? Até onde “jeitinho brasileiro” é sinônimo de esperteza? E não me venha falar dos políticos corruptos. Acaso você não segue a mesma lei? Ou você acha mesmo que subornar um policial no trânsito não é tão errado quanto subornar um juiz num tribunal? Não é tudo suborno? Não é tudo corrupção? Não é tudo “jeitinho brasileiro”?

Levar vantagem em cima da liberdade alheia nunca foi beneficio. Seu direito não pode, de maneira alguma, impedir o direito de outrem. A Constituição não afirma que “todos são iguais perante a lei”? Porque ainda nos comportamos como leões disputando território?

Deviamos parar de achar graça desse tal “jeitinho brasileiro”.Ou você acha mesmo que é uma piada quando alguém ultrapassa você numa fila do banco? Você ri quando você chega cedo pra conseguir sentar na frente e alguém coloca uma cadeira justamente na frente da sua? Você realmente acha engraçado quando alguém rouba o lanche do seu filho na escola? Não é engraçado. Nunca foi engraçado. Nunca foi esperteza. O nome disso é “pilantragem”, desrespeito, desonestidade, falta de ética, ou qualquer outra coisa, mas nunca esperteza.

O brasileiro tem muito pelo que se destacar. E sua desonestidade não deveria ser sua marca. O carioca não precisa ser visto como o “malandro”. Ainda existe ética, ainda existe moral. Ainda existem principios. E viva a Constituição! Por uma sociedade livre, justa e solidária!

quem garante?



quem te garante ovelha? quem te garante esses verdes pastos embaixo de seus pés? quem te garante ovelha? quem te garante essa proteção por dentre o cercado? quem te garante ovelha? quem te garante proteção senão o pastor? quem te livra do matadouro senão o pastor? quem te dá alimento senão o pastor? quem te garante ovelha? quem garante que você estaria viva se houvesse nascido em outros pastos? quem garante que se alimentaria se estivesse vagando longe daqui? quem garante que saberia descer ou subir o morro sem ajuda do pastor? quem garante ovelha? quem garante que tu não serias uma prostituta se houvesse nascido num prostibulo? quem garante que não serias uma dependente quimica se houvesse nascido num morro qualquer? quem garante que não roubarias se houvesse passado fome? quem garante que não serias uma alcoolatra? quem garante que não cometeria suicidio depois de ver seus pais morrerem na sua frente? quem garante? quem garante que acreditaria em Deus se não fosse agraciado com o dom da fé que lhe foi dado pelo próprio Deus? quem garante ovelha? quem garante? e quem garante que és mesmo ovelha?







tu que te comportas com lobo sabendo tu que és ovelha...quem garante?

um dia...

Um dia você irá perceber que não precisa de quase nada que usufrui. Irá perceber que gasta mais que o necessário. Que come mais que o suficiente para estar saciado. Irá perceber que menosprezou as coisas mais importantes da sua vida. Irá perceber que falava mais do que deveria e às vezes magoou a muitos sem nem notar. Irá perceber que deveria ter dado mais atenção a esposa e aos filhos. Irá perceber que o seu trabalho mais tirou de você do que você dele. Irá perceber que deveria ter valorizado mais seus amigos e feito novos. Irá perceber que aquele cigarro lhe custou um pulmão ou aquela cerveja lhe custou um fígado e que nada disso valeu a pena. Irá perceber que devia ter atendido ao conselho de sua mãe, respeitado e honrado seu pai. Irá perceber que devia ter confiado mais. Irá perceber também que devia ter desconfiado mais. Irá perceber que deveria ter feito o curso dos seus sonhos ao invés do curso que fez por achar que seria mais rentável. Irá perceber que devia ter sonhado mais. Irá perceber que devia ter convidado seu vizinho para aquele churrasco. Irá perceber que devia ter levado seu cachorro pra passear. Que devia ter viajado com a familia, curtido a familia. Irá perceber que devia ter amado mais. Vivido mais. Um dia irá perceber que demorou muito pra perceber...


Irá perceber que o tempo passou e você não percebeu quase nada.

é tudo secundário...

Não quero nada que coloque em risco essa minha liberdade de servir a Cristo. Nem mesmo a vida. Hoje vejo quanto tempo foi perdido com as coisas secundárias, aquelas que nem ao menos deveriam ser buscadas. Muito tempo perdido, muita vida desperdiçada. E nessa nossa brincadeira de viver pra nós e por nós é que matamos muitos no caminho. Homicídio culposo, omissão de socorro, negligência, não importa, o banco dos réus nos aguarda, as cadeias continuam lotadas, muitos mortos pela estrada.

reparou aquele cara por quem você passa quase todos os dias e finge que não reparou? Você todos os dias pega o mesmo ônibus pra ir trabalhar, aquela senhora sempre se senta ao seu lado, você com toda certeza não conhece a história dela, você nem ao menos sabe o nome dela, mas ela sempre gentil te dá bom dia e tenta puxar assunto, você não quer se dar a trabalho, respostas curtas são melhores, pra que render assunto com uma senhora que não te importa, não é sua avó mesmo, pra que se importar?

Mas vamos lá, os shoppings continuam cheios, seu guarda roupa está quase sempre vazio, é tanta novidade, que as roupas que você tem não lhe servem mais, não que você tenha engordado, emagrecido, crescido, mas é que caiu da moda, e você precisa ser descolado.

Reclama que não tem dinheiro, não tem roupa, quer um PC novo, o celular não presta mais, os pais cobram demais, quer viajar, não tem um namorado, não tem um emprego, reclama pelo que tem também, reclama do salário, reclama do chefe, dos pais, dos irmãos, dos avós, dos amigos, do pastor, da igreja, reclama do cabelo, da pele, do corpo, esta gordo demais, magro demais, não fez a unha, reclama do governo, reclama do filé que está duro, do arroz que está papa, do feijão que está sem sal, reclama do tempero da comida, da falta de tempero, da comida que tem, da comida que não tem, reclama que o chuveiro está frio, reclama da piscina que está suja, reclama da Internet que está lenta, reclama do clima, está frio demais, quente demais, reclama quando chove, quando nao chove, reclama, reclama, reclama...

Tanto detalhezinho, peculiaridade, frescurite ocupam sua mente, seu coração. O secundário num instante vira prioridade, afinal, quem não quer uma calça da moda, trocar de carro, fazer uma boa universidade? A gente luta pra conseguir o sustento, se enquadrar ao padrão, construir patrimônios, ajuntar tralhas, que a ferrugem consomem.

Tempo perdido, vida perdida, Jesus voltou! Você viu ou estava ocupado demais com a sua vida que acabou perdendo? Infelizmente, algumas pessoas preferem fazer morada no deserto do que encarar a viagem pra alcançar a terra prometida.

Depois de tudo, percebo que eu não quero a mim, que tanto coloco em risco essa minha liberdade de servir a Cristo.

acabou o espetáculo


Ele tocou o meu seio, tocou minha honra, tirou minha dignidade. No começo tocava meu cabelo, não imaginei que passaria disso. Tão logo tocava minha cintura, beijava meu pescoço, e sua mão passeava, descobrindo minha nudez. Encontra meu seio, me descobre, me assusta e "me ama". Tão rápido me encontro sem vestes, sem cor, sem razão. Rompe-se o lacre, tirou-me a virgem. Tirou-me a dignidade, a honra. Estou entregue, escrava. E dói e sangra, e chora. E agora já não vejo mais nada, o prazer, a dor, nada importa mais. Me vejo sozinha, vejo ódio, raiva e revolta. Sem saída, sem razão, culpada. E agora sangra, sem parar sangra minh'alma. Não guardei, e sem pensar me entreguei, agora não há resgate. De bandeja entreguei minha honra. "Meu amado" agora aqui não mais está. O eterno se esvaiu e virou lembrança, pesadelo, tormenta. Estas cortinas não se fecham mais, acabou o espetáculo, ninguém pagou pra ver, no camarim, choram os protagonistas, a peça ainda não acabou.
Guarde sua virgem, sua honra!

olhe

quando os ventos se passarem
e já não houverem mais flores
quando olharmos para o céu
e já não houverem mais aves
quando a grama
que outrora era verde
já estiver sem cor

olhe para as nuvens
e veja a chuva que irá cair
olhe para as árvores
que já estão a brotar
olhe para o céu
e veja as aves
que irão nele desenhar
olhe para a grama
que irá florescer
olhe com esperança

olhe para o novo dia que irá raiar
pois depois da noite
haverá de vir o sol
e deixa que o amanhã tome conta de si mesmo
olhe, espere, ele virá

você sabe que é seu...

quantas vezes
quantas horas
te esperei
pra falar
pra chorar
pra contar
que amei
e senti
e perdi
e parti

mas você
me fez ver
me fez sorrir
e brincou
e amou
e sorriu
não sofreu
não partiu
não doeu

e hoje escrevo
a você
meu querer
é te ter
no coração
bem guardado
como tesouro
secreto, escondido
protegido
amigo
querido
amado
pra sempre

é fábula

Vou contar uma história. Revelar um segredo. Guarde em secreto. Quando eu era pequena, acho que aos doze anos, eu me apaixonei. Não me pergunte nomes, não importa o objeto. Eu era tão pequena, recusava usar sutiãs, também não precisava deles, como até hoje não preciso. Eu me apaixonei, não sei porque, eu o achava lindo, o cara mais lindo da escola, ele era uns dois anos mais velho que eu, para mim ele era um homem, não sabia eu que era só um menino, mirrado e mimado. Lembro-me que escrevi-lhe uma carta, não entreguei, mas escrevi. Eu era uma garota muito tímida, mas certa vez, resolvi dizer a ele o que sentia, quão boba era, mas havia em mim uma certa inocência que hoje sinto falta. Pedi uma de minhas amigas que dissesse, porque me faltava coragem de encarar as pessoas. Essa não é uma daquelas histórias tipo Betty a feia, mesmo porque continuo sendo a Betty, versão feia. Eu nunca vou esquecer aquela cena. Quando saíamos da escola, e todos os garotos riam de mim e também daquele que fez sumir de mim o que me restava de inocência. Se eu era feia demais pra ele? Nunca vou saber. O que sei é que aquele dia foi um grande marco pra mim. Desde então, não vi mais os homens como príncipes, mesmo porque eu sabia que nunca seria uma cinderela, nem ao menos gata borralheira eu seria. Aprendi naquele instante em que me lançaram olhares e sorrisos, nada carinhosos, que nem tudo seria como nas histórias que meu pai me contava para dormir. Às duras penas, aprendi que não se deve se entregar ao desconhecido, aprendi a olhar para o caminho antes de pisá-lo. Me sentia tão boba, que decidi-me nunca mais ser tudo aquilo.
Tão pequena, deixei de acreditar no amor. Como para mim ele não existia comecei a criar. Criava sentimentos que nunca houveram, e isso machucou a muitos. Dizia que amava-os sabendo eu que não havia amor algum. E assim prossegui, lançando veneno, espalhando dor. Ora, fria, ora falsa. Imunda, mentira. Hoje, digo: nunca amei. Porque eu mentia que amava? Para conquistar? Talvez. Provar que aquele 'não' que recebi aos doze não era real pra mim, eu não suportava acreditar que foi real. Por isso criei durante muitos anos. Fingi amor. Fingi amar. Eu despertava o amor daqueles que eu nunca amaria. Eu não tinha medo. Pra mim era um jogo. Como um jogo de xadrez eu queria proteger o rei, não sabia eu que ele vivia dentro da minha barriga. No fundo as pessoas querem ouvir que são amadas, e eu dizia isso a elas. O grande dilema era que eu mentia, e me cansava, e as deixava. Quando eu as conquistava, descartava. E foi assim, por muito.
Nunca imaginei que encontraria o amor. Nunca imaginei chorar por alguém. Isso era tão bobo e ridículo pra mim. Afinal, eu era racional, e nada me abalava. Eu não amava. Amor era para os fracos. Eu nunca tive amantes, tive vítimas.
Hoje, quebrada. Cansada, de mim. Em prantos, numa madrugada qualquer, eu choro, eu penso, eu amo, e mais uma vez não sou amada. Quando o vi toda minha racionalidade se desfez. Me senti boba outra vez. Desde então ele me ocupa em mim grande espaço da mente, do coração. Quando o conheci, voltei a sonhar com príncipes e princesas. Na verdade, não o conheci, o criei, ele não faz parte da minha realidade, é fábula. As fábulas nunca foram tão reais pra mim. Eu tinha que acreditar nelas, eram minha única esperança. Minha fada madrinha virá? Não sei. Já se passou da meia noite. O encanto se acabou. Me resta ainda esperança, me resta ainda amor.

nada



eu não sei desenhar o vazio
eu não sei expressar essa imensidão do nada
eu não sei descrever
eu não sei cantar
não existem acordes que possam representá-lo
não existem palavras que possam defini-lo
e não existe nada
e o nada que é imenso não existe
considerando que é nada
e que não existe

A gente ama


a gente ama
sem nem querer
sem nem saber
sem ter porque
sem querer ser
sem querer ter
sem ter motivo
sem ter razão
querendo ou não
amando em vão
buscando chão
voando ou não
nessa ilusão
a gente ama

A gente tem fé

A gente não sabe quando, nem como e nem porque. A gente não tem motivo. A gente não tem vontade. A gente não tem querer. A gente quer ter, não importa. A gente é assim. E assim é a gente. A gente tem fome. A gente tem sede. A gente passa mal. A gente canta. A gente se apaixona. A gente ama. A gente tem filhos. A gente educa. A gente se decepciona. Mas não importa. A gente ama. A gente engana. A gente chora. A gente sorri. A gente morre. A gente sofre. A gente passa frio. A gente é a gente. A gente não é bixo. Mas não importa. E todas as gentes são gente. A gente sabe. A gente não sabe. A gente procura saber. A gente não sabe ler. A gente não sabe escrever. A gente não tem nem o que comer. A gente é analfabeto. A gente é doutorado. A gente não é nada. A gente não tem nada. A gente não tem porque. A gente não tem merecer. A gente não tem dinheiro. A gente não tem emprego. A gente não tem lar. A gente não tem cama. A gente ama. A gente dorme na rua. A gente não tem chão. A gente não tem pão. A gente tem filhos. Os filhos tem a gente. Mas tem filhos que não tem mães. E tem mães perderam os filhos. Tem mães que perderam o chão. A gente não tem saneamento básico. A gente não tem nem água. A gente não tem dente. A gente é inocente. A gente é vitima. A gente é culpado. A gente é réu. Mas a gente não conhece a lei. A gente é culpado, sem que antes transite em julgado. A gente roubou. A gente matou. A gente morreu. A gente não tem lei. A gente não pisou o tribunal. Mas nos pisaram como pisam um animal. A gente quer. A gente não quer. Não importa. A gente não tem. A gente não escolhe. A gente não vive. A gente sobrevive. A gente se queima. A gente se molha. Mas a gente não sabe. A gente é a gente. A gente sofre. A gente apanha. A gente vive. A gente morre. Mas não importa. A gente tem fé.

Não me olhe! Já disse!

E esses olhos que querem me comer? Tantos panos? Não importa. Me veem como se estivesse nua, num palco, dançando de forma sensual. Mas eu estou fazendo compras. Não importa. Me veem assim. Sempre assim. Um pedaço de carne. Um pedaço de pão. E me comem com os olhos famintos, nojentos, imundos. A forma como você me olha: me incomoda. A forma como você me toca: me incomoda. A forma como você me cumprimenta: me incomoda. Odeio quando ao invés de beijar o meu rosto, você beija o meu pescoço. Odeio quando você passa a mão na minha cintura. Odeio quando me olha dessa forma. Homens nem sempre precisam ser garanhões e as mulheres nem sempre precisam ser objetos sexuais. Solte minha mão, com você eu não irei a lugar nenhum. Você não é meu marido, não é nada, nem quero nada. Que seja nada. Só me respeite. Não me encare, isso me enoja. Não me toque, já disse! Esses olhos são como canhões, voltados para mim. Esse seu olhar bandido que quer me roubar a dignidade, a honra, a vida.
Você ainda ousa dizer que isso é amor. Se é amor eu não quero, nunca quis, nem pretendo. Amor não se porta com indecência. Essa sua malícia assassina e desonra. Esse seu olhar leviano, impuro, indecente. Se eu virei lésbica? Não! Só não te pertence. Então, não toque, não desonre, não defraude. Porque não lhe pertence!
E não hão de tirá-la de mim. Ela? Sim. Querem me tomar a qualquer custo. Não vendo. Nunca estipulei um preço. Nunca me permiti. Mas ainda assim a querem. Não negocio. E não! Não há preço que pague. Por isso não olhe, nem queira. Não será de ninguém, nem minha é. A honra.

eu voltarei para casa



eu queria voltar para casa
eu desconheço este lugar
não é aqui meu habitat
eu queria voltar para casa

eu queria voltar a ouvi-Lo
a somente ouvi-Lo
eu queria voltar ao início
voltar para casa

eu tenho uma imensa saudade de casa
nada aqui se assemelha a minha casa
nada aqui representa o meu lar
aqui definitivamente não é o meu lugar

eu voltarei para casa

ensaio para o amor, será sempre ensaio

quando você começa a amar, começa a doer também
cada máscara que lhe é tirada,
cada ferida tocada
você não tem tempo para sentir-se humilhado, diminuído, rejeitado
o amor não te dá tempo nem para respirar, daí então, se compartilha o ar, o amor, a dor
cada perdão é a morte, e aceitar o outro, é negar-se a vida, a carne, a alma, por amor, pelo amor, para o amor
e amar é quase sempre doer, é sangrar e dar vida, para que não morra, nem morram
é abnegar-se do seu desejo mais intrínseco, pra ver o outro respirar,
é contemplar o ar, o respirar, a vida, do objeto amado.
e amar, e amar, até que não lhe haja mais ar.

mudei de país


XX diz:
eu vou me casar
ou mudar de país
XY diz:
se vai casar comigo?
XX diz:
n
rs
XY diz:
kkkkkkkkkk
XX diz:
vc qria?
kkkkkkkk
XY diz:
eu queria =/
gosto tanto de vc
XX diz:
^^

'você está nessa demora porque isso não te importa tanto'

Muitas pessoas se deitam, fecham seus olhos e dormem. Outras se levantam, se vestem e vão. Algumas vendo as outras irem, gritam: 'espere por mim' e num impulso vão atrás. Talvez algumas nem se importem com aqueles que foram, e simplesmente dormem.
Ontem pela manhã, minha mãe me acordou me chamando para ir ao supermercado com ela. Dá pra imaginar meu humor naquele instante não é? Eu indignada dizia pra ela esperar que não havia lógica nenhuma em ir ao mercado tão cedo, não sabendo eu que já se passava das nove da manhã. Cochilei durante um bom tempo na cama, até que a vejo saindo do quarto, já arrumada dizendo que não iria me esperar, dei um pulo e saí da cama indo me arrumar. Ela me chamou algumas vezes, e eu ainda anestesiada me arrumava, clamando pra que ela esperasse eu me arrumar. Até que ela não aguentando mais esperar por mim, teve de sair, dizendo: você está nessa demora porque isso não te importa tanto. Ela foi sem mim, e ao vê-la batendo o portão senti uma enorme tristeza. Naquele instante eu percebi de que fato eu não me importava tanto por isso a deixei ir. Arrependida, eu me arrumei depressa e fui atrás dela.
Eu pensei muito no caminho. Queria saber o porque tudo aquilo não me importava, de fato. Mas não era surpresa nenhuma pra mim. A verdade é que sempre usaremos esse argumento de que não estamos prontos, quando na verdade mesmo, isso não nos importa tanto. Se me importasse fazer compras quanto importava para minha mãe, eu teria acordado e ido, sem grandes demoras. O que me importava mesmo era o meu sono, sagrado.
Eu realmente não gostei de ouvir que não me importava, porque aquela era a verdade e doía em mim. Por isso eu quis mostrar que eu me importava sim. Abri mão do sono, e fui. Porque eu me importava sim, eu precisava mostrar que sim.
A gente só se entrega por algo que vale a pena pra nós. E é exatamente por isso, que não são todos os cristãos que estão dispostos a se entregarem pelo Reino. É exatamente por isso, que não nos gastamos, pelas vidas, pelo evangelho, PORQUE NÃO NOS IMPORTA! Pelo menos não mais que a nossa própria vida, nosso conforto, nossas escolhas, nossa família, nossos empregos...
Por isso os missionários serão sempre vistos como os loucos, que se dão e se gastam. Que se arriscam, por realmente se importarem. Por viverem e até mesmo morrerem pelo que acreditam.
Muitas pessoas se deitam, fecham seus olhos e dormem. Outras se levantam, se vestem e vão. Porque se importam.

criança pinta é de canetinha!

Ninguém teve amor assim

Eu não posso deixar de falar sobre a cruz, jamais poderei. Essa semana, eu tive duas experiências que, de fato, me deixaram constrangida. Nas duas eu murmurei como aquele povo do deserto, e no fim, para minha surpresa, lá estava a terra prometida. Que a gente não merece nada eu estou cansada de saber, mas sabe quando você faz uma burrada e pensa 'agora, já era'? Foi dessa forma que me senti, e me senti mais constrangida ainda quando vi que no fim tudo deu certo, mesmo eu reclamando e resmungando...
Sabe quando você ganha um presente, inesperado, de uma pessoa que você nem valoriza tanto, e mesmo assim ela insiste, você diz que 'não precisa, que isso' porque no fundo, não compreende o porque daquela pessoa te dar aquele presente, nem é o seu aniversário, e com aquela cara de bocó, você aceita o presente. Bem, é assim que sinto. É assim que me sinto diversas vezes em que não sei como me portar diante de algumas diversidades, acabo pecando, e desmerecendo, e o amor de Deus sempre me surpreende, sempre me constrange.
Àquele que é digno de glória seja dada a glória: a Deus. De fato, minhas limitações e imperfeições são tantas, que se não fosse o amor de Deus, nem aqui eu estaria, eu nem ao menos existiria. A graça de Deus é que nos garante vida. Por isso, a cada dia que passo, a cada tombo, a cada queda, a cada obstáculo, lá está a cruz, e poder enxergá-la é que me garante a vitória. 'Essa é a vitória de quem venceu o mundo: a vossa fé.'
A verdade é que o amor de Deus independe de quem nós somos, depende apenas de quem Deus é. Considerando que Ele é amor!

o deserto é o meu lar

Olhos, nariz e boca, inchados. Nunca imaginei ser capaz de produzir tantas águas. E agora, esse grande deserto que me resta, seca-se outra vez. E outra vez não me sobrou nada, nem ao menos águas restam agora, só deserto. Mas isso nunca me assustou. Afinal, o deserto é meu lar. Eu gosto de estar de volta. É bom voltar pra casa. Quero ouvi-Lo agora que estamos a sós novamente...

esse clarão que me cega

tenho aprendido a suportar
tenho aprendido a viver
a andar descalça sem me queimar
e inútil tentar apagar o sol
e inútil calçar os meus pés nus
é inútil tentar não me queimar
é inútil tentar
é inútil
é

todo esse clarão que me cega
e queima, e arde em mim
esse clarão que me apavora
e me persegue
em quem você quer me transformar?
esse clarão não é luz
não não

...

Eu olho para este homem que quer enfiar-me guela abaixo essa matéria que em nada me atrai. Eu o vejo, mas nada ouço, sim estou com fones de ouvido. Não é este o meu pão. Não é disso que minha alma se alimenta. Meu estômago embrulhado revira a mesma idéia de que aqui não é o meu lugar. Minha ânsia é sair deste lugar. Minha ânsia é tirar tudo isso que me impõe aqui. Eu me sinto aqueles garotos que insistem em não comer os legumes. Eu não vou comer esses legumes. É tudo sempre igual. É tudo verde e amargo. Eu não quero. Me recuso a digerir e se me desce a garganta voltará, sairá pela boca. Me recuso.
Eu olho minhas mãos, e num colapso as observo. Cada linha de expressão é nova pra mim. Eu ainda não conheço todas elas. Eu não temo o fato de ter que um dia conhecê-las. Eu só quero me dar a conhecer. Este é o presente do tempo. Sem ele não me seria possível conhecer. Sem ele nada me seria possível. Eu não temo o tempo. Eu corro em direção a ele. E todas as linhas que me desenham me marcam novas conquistas. Me marcam novos devaneios, criações, crianças. Quando se vive e se morre se busca vida. Eu a quero. Mesmo que me matem, não hão de tirá-la de mim.
Nada me tira o anseio de vida. Intrínseco ao ar que me move. O sopro de vida que há em mim é santo, sagrado e vida. E o corpo que ele move é ora imundo, ora coberto de sangue, vida. Ora morte. Ora vida. Ora vive. Ora! É hora! Move!

seria bom

Seria bom ser quem somos ou quem buscamos ser, não nos sentir menor que aqueles que nos oprimem e por isso os vemos maiores que nós, aqueles que insistem pisar-nos com os pés sujos, e nos esmagam como a baratas imundas. Frente a tanta imundicie torna-se impossivel um novo olhar, uma nova esperança. A gente só espera poder sair debaixo desse asqueroso pé. Não se sufocar com esse chulé terrível. Seria bom fazer nossas escolhas, quebrar a cara num muro que nós fizemos, e não que nos foi colocado frente a face, escorregar em nossas águas, lágrimas, escolhas. Morrer em nossas vidas, ou nas vidas que escolhemos pra nós. Aprisionar-mos em nosso ideal de liberdade, por mais que represente uma prisão. É a sua escolha, a sua prisão. Seria bom, se o seria estivesse conjugado no presente. Seria bom alcançar o até então inalcançável. Seria bom, ser. Seria bom, se bom fosse. Seria bom, se houvesse sido como quisemos. Seria bom, se o seria representasse um futuro próximo. Seria bom, se seria fosse é. No entanto, seria se assim fosse e não é.

Me sinto assim também

Às vezes eu me sinto um transexual, querendo ser aquilo que sei que nunca serei. Assim como ele quer ser mulher, mas no fundo sabe que nunca conseguirá ser uma. Me sinto assim também.
Às vezes me sinto uma prostituta, não por praticar a prostituição. Mas porque querem me alienar como se eu tivesse um cafetão que escolhesse aqueles como eu fosse me deitar, ou aquilo para o qual eu daria minha alma. Me sinto assim também.
Às vezes me sinto um mendigo, vagando sem direção, sem amigos, ou família. Sendo apontada como culpada pelo estrago social, sendo obrigada a ser feliz com as moedas que lançam sobre mim, quando lançam, preferem me chamar de vagabunda e me mandar arrumar um emprego. Me sinto assim também.
Às vezes me sinto uma idosa. Quando me cobram uma força que não tenho mais, não terei. Quando se esquecem de tudo que já conquistei, e me vêem apenas como um peso a mais. Me sinto assim também.
Às vezes me sinto uma criança. Querem escolher por mim, nunca me deixam falar, querem me dar aula de tudo. Me sinto assim também.
Às vezes me sinto um presidiário. Limitado a sentença que me impuseram. Sendo apontado e humilhado por quem passa. Presa em uma cela. Sem escolha, sem liberdade, sem vida. Me sinto assim também.
Às vezes me sinto um robô. Não tenho botões, mas me apertam. Não tenho rodas nos pés, mas me empurram. Programada pra fazer o que meus programadores programaram, nada aquém, nada além. Me sinto assim também.
Às vezes me sinto muda. Não me sai som algum. Quando sai, ninguém pára pra ouvir. Quando sai, não se ouve. Quando se ouve, não se entende. Quando se entende não se quer entender. Me sinto assim também.
Às vezes me sinto surda. Não posso ouvir meu coração. Não posso ouvir minha canção favorita. E ouvir o sertanejo que obrigaram me deixou surda. Me sinto assim também.
Às vezes não me sinto. Sinto tantos outros que até me esqueci como sou, se sou nunca senti, nunca senti. Não sou, não sinto. Me sinto assim também.

Please, call me Amanda

Por favor me chamem Amanda. Sei que mulher não sou, mas não sou homem também. O Ricardo se foi, e agora prefiro ser só Amanda. Não carrego mais aquele peso todo entre as pernas. Mas carrego um peso que a cirurgia não me tirou. Carrego a dor que a alma insiste em esconder. A dor de ter perdido a familia numa escolha, a dor de perder os amigos, a dor da vergonha que sentem daquilo em que me transformei. A dor que nenhum remédio jamais conseguiu eliminar.
Ainda assim me sinto mulher, mas sei que o silicone não transforma meu peito em um seio. Sei que nunca terei um seio. Sei que mulher não sou. Sei que hormônios contribuem um pouco, mas nunca me farão mulher. Minha voz que não consigo disfarçar, sempre me entrega. Meu andar em cima do salto ainda é desconjuntado. Meus pêlos ainda são grossos. Meus quadris ainda são retos demais. Cintura eu nunca terei. Minhas mãos são grandes e grossas. Minhas unhas: postiças. Meu sexo: indefinido. Nem mulher, nem homem.
Todo esforço que faço é sempre falho. Por mais inteligente que eu seja, ainda serei aquela 'bixona' que quase ninguém quer ter em sua empresa. Sempre serei aquela 'bixona' que ninguém irá contratar para educar o seu filho, cuidar do seu bebê, fazer o seu parto, enfim, não me bastam esforços.
Nem Ricardo, nem Amanda. O que me dói é saber que não sou mais homem, e nunca serei mulher, serei sempre transição, serei sempre trans. Nem Ricardo, nem Amanda.

Cansei de subir

Quebra o meu orgulho, Senhor. A verdade é que eu preciso descer. Chega de subir como Zaqueu, é hora de descer. Eu que me irrito com tanta facilidade. Eu que me deixo incomodar com tão pouco. Cobro de mim uma dose que não posso tomar. Basta um detalhe pra me tirar do eixo. Basta uma palavra, uma atitude e tudo vai por água abaixo.
No fim, eu me vejo no mesmo lugar. No lugar aonde sempre estive, e fingi não ver. Compreender minha pequenez. Compreender minha limitação. Compreender que quem me sustenta é o Pai. Às vezes é preciso voltar, retornar aquela humildade de criança, aquela inocência, aquela dependência, aquela realidade que antes fingimos não ver. Descer do salto da santidade, reconhecer quem se é de verdade. Reconhecer minha fraqueza, meus defeitos, minhas falhas, meus erros. Não sou auto-suficiente, nem preciso achar que sou.
Sou orgulho e vaidade. Sou raiva, vergonha e medo. Sou carne, sou viva, sou sangue. Sou dor, tristeza e mágoa. Sou ego, não nego. Sou humana, raça, caça, Cássia. Cansei de ser humano. Cansei de ser. É hora de descer.

Porque a realidade não é nenhum pouco cor de rosa

"A mulher foi feita da costela do homem, não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual, debaixo do braço para ser protegida e do lado do coração para ser amada." Maomé




''HOJE O MEU AMOR VEIO ME VISITAR,



E TROUXE ROSAS PRA ME ALEGRAR



E COM LÁGRIMAS PEDE PRA EU VOLTAR.



HOJE, O PERFUME EU NÃO SINTO MAIS,



MEU AMOR JÁ NÃO ME BATE MAIS,



INFELIZMENTE, EU DESCANSO EM PAZ''



A cada quinze segundos, uma mulher é agredida no Brasil. A cada ano, duas milhões de mulheres são espancadas por seus maridos ou namorados. Essa triste realidade ainda é bem presente no cenário atual, situações aonde a mulher é miseravelmente espancada e tratada de forma brutal por seus companheiros e aonde muitas dessas sofrem caladas e se vêem divididas entre o medo de denunciar e o medo de permanecer sofrendo tais agressões dentro dos próprios lares. Trata-se daquela situação aonde o casamento torna-se uma tortura e aonde o próprio lar torna-se o cárcere, a vítima tendo como agressor o próprio marido. Quando aquilo que era sagrado no casamento se esvaiu e o que outrora era chamado amor tornou-se ódio e indiferença.
É quando a mulher finge a hipocrisia de um sorriso no rosto, mas sua alma sangra, e sua face não expressa mais aquele sentimento belo e puro, promessas no altar e juras de amor na lua de mel transformam-se em cenas de um filme real e cruel.
Nem tudo é um mar de rosas, o casamento nem sempre é que mostra os filmes românticos, os maridos nem sempre são príncipes, alguns deles estão mais próximos de bandidos do que de mocinhos e as mulheres são sempre as vítimas. Isso quando a agressão no lar não se estende também aos filhos.
A mulher que era pra ser a esposa, se torna escrava, que além de fazer o serviço de casa, sofre punições, são oprimidas, reprimidas, espancadas, humilhadas, rechaçadas, vulgarizadas e até estupradas por seus próprios cônjuges, aqueles que um dia, perante a igreja e a autoridade religiosa, perante Deus e os familiares, fizeram votos 'eternos' prometendo amar, respeitar e ser fiel, até que a morte os separe. No entanto, a morte bate mais cedo na porta de algumas vítimas da crueldade e da falta de amor daqueles que desonram as alianças que carregam em seus dedos.
A agressão tem de acabar. 'Talvez se eu tivesse o denunciado, talvez se eu tivesse o deixado de lado, agora é tarde, na cama do hospital, hemorragia interna o meu estado era mal.' Esse trecho mostra a triste realidade de muitas mulheres, que por medo de denunciar sofrem drásticas conseqüências, até que se torna tarde demais...

Violência contra a mulher? Denuncie! Disk 180 de qualquer lugar do Brasil, a qualquer hora!

'Não é tarde para se sonhar, o céu ainda é azul, há esperança...'


GOIÁS

CEVAM - Centro de Valorização da Mulher Consuelo Nasser
Maria das Dôres Dolly Soares
Projeto: Atendimento a mulheres em situação de violência
Goiânia/GO
(62) 524-9000 a 524-9012
cevam@uol.com.br

Grupo de Mulheres Negras – Malunga
Sonia C.Ferreira Silva – presidente
Projeto: Saúde das mulheres negras
Goiânia/GO
(62) 286-4896 / 9983-7110
malunga@persogo.com.br

Grupo Transas do Corpo
Eliane Gonçalves – coordenadora de projetos
Projeto: Ações educativas em gênero, saúde e sexualidade
Goiânia/GO
(62) 248-2365 / 248-1484
transas@transasdocorpo.org.br
comunica@transasdocorpo.org.br
http://www.transasdocorpo.org.br


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